A IA agêntica em segurança está redefinindo um dos maiores desafios das equipes de defesa: o tempo entre a divulgação de uma vulnerabilidade e o momento em que a organização realmente está protegida. Essa janela perigosa — o intervalo entre o anúncio público de um CVE e a aplicação da proteção — é exatamente onde os atacantes preferem agir. E é justamente esse vão que a abordagem agêntica vem fechar.
A Cato Networks acaba de estabelecer um novo marco nessa corrida. A empresa anunciou o que considera um recorde mundial em mitigação de CVEs: o tempo de proteção contra vulnerabilidades recém-divulgadas caiu para apenas 45 minutos. Para efeito de comparação, o modelo tradicional baseado em appliances costuma levar semanas para sair da divulgação até a proteção efetiva.
Por que o modelo tradicional não acompanha mais o ritmo
A segurança baseada em appliances depende de um ciclo de correção lento e operado pelo cliente. O fabricante desenvolve a proteção, envia a atualização, e então cada equipe precisa testar, validar e aplicar o patch em milhares de dispositivos distribuídos pela infraestrutura. Na era da IA, esse processo simplesmente não acompanha a velocidade com que os exploits surgem.
Os números reforçam o problema. Segundo o NIST, o volume de CVEs submetidos cresceu 263% entre 2020 e 2025, e o primeiro trimestre de 2026 já registrou um aumento de quase um terço em relação ao mesmo período do ano anterior. Modelos de IA de fronteira estão acelerando tanto a escala quanto a velocidade dessas divulgações.
Enquanto isso, o ritmo de correção não acompanha. O relatório DBIR 2025 da Verizon apontou que apenas cerca de 54% das vulnerabilidades em dispositivos de borda foram totalmente corrigidas ao longo do ano, com um tempo médio de remediação de 32 dias. Trinta e dois dias é uma eternidade quando o atacante consegue explorar uma falha em poucas horas — às vezes minutos.
Como resume Shlomo Kramer, cofundador e CEO da Cato Networks: os atacantes se movem em minutos, mas a segurança centrada em appliances ainda se move em ciclos de patch. Na prática, a arquitetura de segurança deixou de ser uma questão de eficiência e passou a ser uma decisão crítica de sobrevivência.
Como a IA agêntica em segurança mitiga CVEs do começo ao fim
A novidade não nasceu do zero. Há quase uma década a Cato monitora CVEs, desenvolve proteções, valida sua eficácia e distribui atualizações automaticamente pela Cato Cloud, com índices de falso positivo próximos de zero. A arquitetura nativa em nuvem já havia comprimido o ciclo de semanas para apenas algumas horas.
O que a IA agêntica em segurança acrescenta é a aceleração de cada etapa desse processo já comprovado. Os agentes executam todo o ciclo de proteção com supervisão humana, mas sem intervenção humana direta:
- Monitoram e triam a publicação de vulnerabilidades divulgadas em múltiplas fontes
- Extraem indicadores de comprometimento (IoCs) e reproduzem o exploit em ambiente de laboratório
- Desenvolvem assinaturas de ameaça com base na linguagem contextual da própria Cato
- Testam e simulam essas assinaturas para eliminar falsos positivos e evitar disrupção
- Implantam a assinatura validada globalmente na plataforma Cato Cloud
Todo o processo de análise, reprodução de exploit, geração de proteção e validação foi automatizado — e é isso que reduz o tempo de geração de proteção para até 45 minutos. Como destacou Elad Menahem, SVP de Pesquisa da Cato, o ponto não é apenas a velocidade: é o fato de que a resposta a vulnerabilidades agora pode operar de forma contínua e em escala de máquina.
A IA agêntica em segurança depende da arquitetura certa
Vale ressaltar um detalhe importante: nada disso exige ação do cliente. A plataforma nativa em nuvem é atualizada automaticamente, eliminando o fardo de aplicar patches em uma infraestrutura distribuída.
A Cato consegue operar dessa forma porque reúne três requisitos arquiteturais para a segurança agêntica em um só lugar: a rede para enxergar os ataques, a plataforma para correlacionar o contexto e a nuvem para impor a proteção globalmente. É essa combinação que torna possível operar segurança na velocidade da máquina.
O que isso significa para a sua organização
A mensagem por trás desse avanço aponta para uma mudança mais ampla no setor: as operações de segurança estão deixando para trás fluxos manuais operados pelo cliente e migrando para proteção contínua, em escala de máquina, entregue por plataformas nativas em nuvem.
À medida que os atacantes ficam mais rápidos e o volume de CVEs cresce, proteger globalmente em minutos deixa de ser um diferencial e passa a ser um requisito básico de segurança. A pergunta para os líderes de TI e segurança não é mais “quanto tempo levamos para aplicar o patch”, mas sim “nossa arquitetura foi feita para responder na velocidade da ameaça?”.
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