Estimated reading time: 7 minutos

O cenário de ransomware no Brasil mudou de patamar: em junho de 2026, o país ocupou pela primeira vez o 3º lugar no ranking mundial de novos ataques de ransomware em um único mês, atrás apenas de Estados Unidos e Alemanha, segundo dados da plataforma Ransomware.Live. É a primeira vez que o país aparece entre os dez mais afetados desde que a plataforma começou a divulgar esse recorte, em janeiro. Na América Latina, o cenário é ainda mais direto: o Brasil segue como o país mais atacado por ransomware da região, segundo a Kaspersky.

Se sua empresa ainda trata segurança cibernética como um projeto para “quando sobrar orçamento”, os números abaixo mostram por que essa conta pode sair muito mais cara do que parece.

Ransomware no Brasil: um problema que só cresce

O histórico de vítimas confirmadas de ransomware no país, levantado pela Ransomware.Live e citado pela ESET WeLiveSecurity, mostra a curva:

  • 2023: 51 vítimas (empresas e órgãos públicos)
  • 2024: 135 vítimas — um salto de mais de 160%
  • 2025: 101 incidentes divulgados (79 vítimas únicas) somente entre janeiro e outubro, já a caminho de repetir o patamar do ano anterior

A Fortinet identificou 314,8 bilhões de atividades maliciosas direcionadas ao Brasil só no primeiro semestre de 2025. No ano fechado, o total de tentativas de ataque digital contra empresas e órgãos brasileiros passou de 753,8 bilhões. E, segundo o ESET Security Report, 29% das empresas brasileiras já relataram ter sofrido pelo menos um ataque de ransomware — enquanto 73% ainda não contrataram nenhum seguro cibernético para cobrir o prejuízo.

Quanto custa um ataque de ransomware no Brasil

O relatório Cost of a Data Breach 2025 da IBM, conduzido pelo Ponemon Institute, traz o número que mais deveria preocupar quem decide orçamento de TI: o custo médio de uma violação de dados no Brasil chegou a R$ 7,19 milhões, um aumento de 6,5% sobre os R$ 6,75 milhões registrados em 2024.

Esse custo varia bastante por setor:

  • Saúde: R$ 11,43 milhões
  • Finanças: R$ 8,92 milhões
  • Serviços: R$ 8,51 milhões

E varia também pela porta de entrada do ataque. Phishing continua sendo o vetor mais comum (18% dos casos, com custo médio de R$ 7,18 milhões), seguido por comprometimento de terceiros e da cadeia de suprimentos (15% dos casos, R$ 8,98 milhões) e exploração de vulnerabilidades conhecidas (13% dos casos, R$ 7,61 milhões) — justamente o tipo de falha que costuma ficar meses em aberto por falta de gestão de patches.

No recorte específico de ransomware, o cenário global também é revelador: quando o ataque é divulgado pelo próprio criminoso (porque a empresa não pagou), o custo médio do incidente sobe para US$ 5,08 milhões. Mesmo assim, 63% das organizações já resistem à extorsão e optam por não pagar — um sinal de que a resposta a incidentes bem estruturada compensa mais do que negociar com o atacante. Para se ter uma ideia da escala do problema, a Cybersecurity Ventures estima que o ransomware causou US$ 57 bilhões em prejuízos globais em 2025, com um ataque acontecendo a cada dois segundos.

O caso do Grupo Jorge Batista, do setor farmacêutico, ilustra bem o tamanho do estrago local: atingido pelo ransomware Gunra em 2025, a empresa teve sistemas paralisados, contratos rompidos e prejuízo estimado em R$ 400 milhões, segundo reportagem do portal Lupa.

Quem está na mira: os setores mais atacados por ransomware no Brasil

Olhando só para ataques de ransomware com vítima confirmada no país em 2025, a distribuição por setor (Ransomware.Live, via ESET) ficou assim:

  • Manufatura — 21 vítimas
  • Tecnologia — 11 vítimas
  • Construção, imóveis e real estate — 8 vítimas
  • Serviços empresariais — 8 vítimas
  • Varejo e consumo — 7 vítimas
  • Saúde — 7 vítimas
  • Transporte e logística — 5 vítimas
  • Educação, telecom e mídia — 4 vítimas cada
  • Agricultura, governo e energia — 3 vítimas cada

Quando o recorte é ciberataques em geral (não só ransomware), o setor financeiro assume a liderança, respondendo por 20,18% dos incidentes registrados no país em 2025, segundo levantamento da ISH Tecnologia — seguido por setor público (12,47%), serviços (11,76%) e indústria (10,78%).

Na prática, isso significa que praticamente nenhum setor está fora do radar do ransomware no Brasil. Os grupos de ransomware hoje praticam “Big Game Hunting”: miram organizações de médio e grande porte com alta dependência operacional, onde uma paralisação de poucas horas já gera pressão suficiente para negociar o resgate — e cerca de 70% dos ataques já combinam criptografia com roubo de dados (dupla extorsão), ameaçando vazar as informações mesmo que o resgate seja pago.

A porta de entrada: vulnerabilidades que viram manchete

Boa parte dos casos de ransomware no Brasil não começa com uma técnica sofisticada — começa com uma vulnerabilidade conhecida que não foi corrigida a tempo. Só em 2026, falhas críticas exploradas ativamente em produtos amplamente usados nas empresas já geraram alertas emergenciais, entre elas:

  • CVE-2026-5281, CVE-2026-3909/3910 e CVE-2026-2441 — vulnerabilidades zero-day no Google Chrome, incluindo falhas do tipo use-after-free já usadas em ataques reais
  • CVE-2026-21509 — falha no Microsoft Office que permite contornar restrições de segurança (kill bits) por meio de documentos maliciosos
  • CVE-2026-20700 — vulnerabilidade da Apple associada a ataques altamente direcionados

O padrão se repete a cada trimestre: uma falha crítica é descoberta, um patch é lançado, e a diferença entre “sem incidente” e “manchete de vazamento” passa a ser, literalmente, quantos dias a empresa levou para aplicar a correção. Como visto acima, a exploração de vulnerabilidades já responde por 13% das violações de dados no Brasil — e é uma das causas mais caras de se resolver.

Ransomware no Brasil: o diagnóstico é o primeiro passo

Os números deixam claro que o risco de ransomware no Brasil não é hipotético: o país está entre os mais visados do mundo, o custo médio de um incidente já passa de R$ 7 milhões e a maioria das empresas ainda não tem cobertura de seguro nem visibilidade completa sobre suas próprias vulnerabilidades.

A boa notícia é que a maior parte desses ataques explora falhas conhecidas e evitáveis: acesso remoto sem autenticação multifator, patches atrasados, ausência de segmentação de rede e falta de um plano de resposta a incidentes testado. Identificar esses pontos cegos antes que um grupo de ransomware o faça é exatamente o que um diagnóstico de segurança se propõe a resolver.

Diagnóstico de Segurança / Consultoria da StrongSecurity

Se você não sabe ao certo quão exposta sua empresa está hoje, o próximo passo não precisa ser complicado: fale com a equipe da StrongSecurity e agende uma avaliação de segurança para mapear riscos antes que eles virem prejuízo.