A transformação digital, impulsionada pela adoção acelerada de ambientes em nuvem, mobilidade corporativa e trabalho remoto, tem redefinido a forma como empresas estruturam suas estratégias de tecnologia e segurança. Nesse novo cenário, caracterizado pela descentralização de usuários, aplicações e dados, modelos tradicionais baseados em perímetro passam a apresentar limitações operacionais e riscos crescentes.
Segundo análises da Gartner, mais de 70% das organizações operam atualmente em ambientes híbridos ou multi-cloud, enquanto aproximadamente 80% ainda mantêm arquiteturas legadas baseadas em perímetro. Esse descompasso entre a realidade operacional e os modelos de segurança adotados tem contribuído para o aumento da exposição a ameaças digitais.
Dados indicam que 73% das empresas sofreram ao menos um incidente de segurança nos últimos 12 meses. Ao mesmo tempo, a multiplicação de ferramentas isoladas — como firewalls, VPNs, proxies e soluções de CASB — tem ampliado a complexidade dos ambientes, dificultando a visibilidade e a capacidade de resposta a incidentes.
O fim do perímetro tradicional
Historicamente, a segurança corporativa foi estruturada com base no conceito de perímetro, no qual tudo o que estava dentro da rede era considerado confiável. Esse modelo fazia sentido em um contexto onde aplicações estavam concentradas em datacenters e usuários acessavam sistemas a partir de ambientes controlados.
No entanto, esse cenário mudou de forma significativa. Atualmente:
- Usuários acessam sistemas de qualquer lugar
- Aplicações estão distribuídas em múltiplas nuvens
- Dados trafegam fora do ambiente corporativo tradicional
Essa mudança estrutural tornou o conceito de perímetro obsoleto. Mesmo assim, muitas organizações continuam operando com ferramentas que simulam esse modelo, criando uma falsa sensação de segurança.
Complexidade como vetor de risco
Um dos principais desafios enfrentados pelas empresas é a fragmentação das soluções de segurança. Ao longo dos anos, novas ferramentas foram sendo adicionadas para resolver problemas específicos, sem uma estratégia de integração.
Esse modelo gera impactos diretos:
- Falta de visibilidade unificada: eventos de segurança ficam dispersos em diferentes sistemas
- Dificuldade de correlação: ameaças não são identificadas de forma integrada
- Aumento do tempo de resposta: incidentes levam horas ou dias para serem analisados
- Custos elevados: múltiplas licenças e operações complexas
De acordo com especialistas, a complexidade não representa maior proteção. Pelo contrário, ela pode se tornar um vetor de risco, ao criar lacunas invisíveis na arquitetura.
SASE: a convergência entre rede e segurança
Diante desse cenário, o modelo Secure Access Service Edge (SASE) surge como uma abordagem arquitetural que busca unificar rede e segurança em uma única plataforma baseada em nuvem.
A proposta do SASE é consolidar diferentes funcionalidades — como conectividade, controle de acesso, inspeção de tráfego e proteção contra ameaças — em um ambiente integrado, com gestão centralizada.
Entre os principais pilares do SASE estão:
- Convergência de rede e segurança
- Entrega via nuvem (cloud-native)
- Políticas unificadas e consistentes
- Visibilidade completa do tráfego
- Arquitetura baseada em identidade (Zero Trust)
A Cato Networks é uma das organizações que atuam no desenvolvimento desse modelo, oferecendo uma plataforma que integra recursos de SD-WAN e segurança em um único ambiente.
Benefícios operacionais e estratégicos
A adoção do SASE não está relacionada apenas à melhoria da segurança, mas também à eficiência operacional e à redução de custos.
Estudos de mercado apontam que empresas que migraram para esse modelo registraram:
- Redução de 30% a 50% no custo total de propriedade (TCO)
- Diminuição do tempo de resposta a incidentes
- Simplificação da gestão de infraestrutura
- Redução da dependência de múltiplos fornecedores
Além disso, a substituição de tecnologias tradicionais, como MPLS, por soluções baseadas em SD-WAN pode gerar economia de até 60% em conectividade.
Outro aspecto relevante é a experiência do usuário. Com o SASE, o acesso a aplicações ocorre de forma mais direta e eficiente, reduzindo latência e eliminando a necessidade de redirecionamento de tráfego para datacenters centrais.
Zero Trust como base da nova arquitetura
O modelo SASE incorpora o conceito de Zero Trust, que parte do princípio de que nenhum acesso deve ser considerado confiável por padrão.
Nesse contexto, cada requisição é validada continuamente com base em:
- Identidade do usuário
- Estado do dispositivo
- Localização
- Comportamento
Essa abordagem reduz significativamente o risco de movimentação lateral dentro da rede e aumenta a capacidade de prevenção de ameaças.
O cenário brasileiro e a adoção do SASE
No Brasil, a adoção do SASE tem acompanhado o movimento global de modernização das arquiteturas de segurança. Empresas de diferentes setores têm buscado alternativas para reduzir complexidade e aumentar visibilidade em seus ambientes.
A Strong Security Brasil atua como fornecedora da solução da Cato Networks no país, apoiando organizações no processo de transição para arquiteturas unificadas.
De acordo com Dario Caraponale, CEO da Strong Security Brasil, a mudança para o modelo SASE envolve uma visão estratégica da segurança.
“Ambientes fragmentados dificultam o controle e aumentam o risco operacional. A convergência proposta pelo SASE permite visibilidade completa e decisões baseadas em dados integrados”, afirma.
Do modelo reativo ao modelo estratégico
Um dos principais pontos de mudança trazidos pelo SASE é a transição de um modelo reativo para um modelo estratégico de segurança.
No modelo tradicional, as ações são tomadas após a ocorrência de incidentes. Já no modelo baseado em SASE:
- A detecção é contínua
- A resposta é automatizada
- A prevenção é integrada à arquitetura
Isso permite que as empresas passem a atuar de forma proativa, reduzindo o impacto de ameaças e aumentando a resiliência operacional.
Como iniciar a transição para SASE
A migração para o modelo SASE não ocorre de forma imediata, mas sim por meio de um processo estruturado. Entre as etapas recomendadas estão:
- Diagnóstico do ambiente atual Identificação de lacunas, riscos e redundâncias
- Definição de roadmap Planejamento da transição com base nas necessidades do negócio
- Implementação gradual Substituição progressiva de soluções isoladas por uma plataforma unificada
- Monitoramento contínuo Ajuste de políticas e otimização da operação
Esse processo permite que a transformação ocorra sem impacto nas operações e com ganhos progressivos de eficiência.
Tendências para os próximos anos
A expectativa do mercado é de que o SASE continue ganhando espaço nos próximos anos, impulsionado por fatores como:
- Crescimento do trabalho remoto e híbrido
- Expansão de ambientes multi-cloud
- Aumento da sofisticação das ameaças cibernéticas
- Necessidade de redução de custos operacionais
Além disso, a integração com tecnologias como inteligência artificial e automação deve ampliar ainda mais a capacidade de resposta e análise de eventos de segurança.
Conteúdo complementar
Os conceitos, desafios e aplicações do SASE foram detalhados em apresentação disponível na plataforma YouTube:
O material aborda desde as limitações das arquiteturas tradicionais até os benefícios operacionais e estratégicos da adoção de modelos unificados.
A consolidação de rede e segurança em uma arquitetura integrada representa uma mudança estrutural na forma como as empresas lidam com riscos digitais. Em um cenário cada vez mais distribuído e dinâmico, a capacidade de enxergar, controlar e proteger todo o ambiente torna-se um fator crítico para a continuidade dos negócios.
